... na busca dessa famigerada raça chamada Jornalistas 2.0 em Portugal
15
Out 09

Aviso: Este post (mais um testamento...)  é publicado ainda antes de nova reunião com a orientadora, pelo que quaisquer considerações poderão vir a sofrer mudança profunda. Contudo, isto é um processo evolutivo e, até para benefício próprio, considero útil explanar todas as dúvidas no momento próprio.

 

Ora, após mais algumas leituras, e correndo o risco de me contrariar face ao que disse num dos posts anteriores (penso que até é saudável nest fase inicial), estou convicto de que seria limitativo cingir o meu estudo – centrado (se bem se lembram :-D) na utilização dos media sociais por parte dos jornalistas portugueses, em contexto profissional - a uma só ferramenta web 2.0. Até porque, como aponta  Dan Gillmor - autor de “We the Media: Grassroots Journalism by the People, for the People” (200) e referência no estudo do impacto dos novos media nas práticas jornalísticas – num artigo assinado no último Nieman report:

 

“Most of the experiments in new media and business models will fail. That is the nature of the new and of start-up cultures. But even a small percentage of successes will still be a large number because so many people are trying”.

 

Ou seja, mais importante do que a plataforma propriamente dita (se é Twitter, se é Facebook, se é Wikipedia ou se é MSN), cujo “prazo de validade” subsiste enquanto os utilizadores reconhecerem nela uma mais-valia ou até que surja uma nova ferramenta mais “apetecível,  são (estou convicto de que sim) as atitudes dos utilizadores (neste caso, os jornalistas) face ao novo paradigma de comunicação e informação que se tem afirmado com o crescimento dos media sociais e a amplificação do fluxo noticioso proveninente de fontes que não incluem somente os jornalistas. É nessa perspectiva mais ampla (não negligenciado naturalmente as especificidades de cada serviço e não pondo de parte a selecção de um conjunto de ferramentas que tenham, consensualmente, um maior impacto na profissão) que penso que devem ser enquadradas as oportunidades  e problemas (já referidos no post inaugural do blogue) associados à  utilização destas ferramentas, por parte dos jornalistas, para fins profissionais,. 

 

Mas a questão mantém-se. Como levar o Projecto adiante, sem me meter num imbróglio de todo o tamanho, dada a infinitude de temáticas de potencial exploração e o risco de ? Por outro lado, como enquadrar o tema num mestrado em Comunicação Multimédia? Bem, procurando dar resposta às dúvidas existenciais que lancei ontem, e após mais um precioso contributo de um colega (chukrane, Daniela Rocha!), decidi não me focalizar tanto nas perguntas de investigação e, antes de mais, nas que pretendo obter. Até onde quero chegar  com este trabalho? Que resultados/ conhecimentos quero alcançar??  

 

Partindo de um estudo antecipado sobre a relação entre media sociais  e o jornalismo (que estará patente em todo o suporte teórico do trabalho) eu gostava muito de chegar ao final do trabalho e ser capaz de perceber, num primeiro nível, se e como  é que os jornalistas portugueses utilizam os media sociais no seu quotidiano profissional, bem como as razões (motivações e factores de afastamento) que explicam esses comportamentos. No fundo , e tal como definido nos objectivos do trabalho, pretendo traçar um primeiro (auto) retrato/perfil dos jornalistas portugueses 2.0 (em contraste com os 1.o e os 0.0?? ) numa era profundamente marcada pela afirmação dos media sociais. Como? Recorrendo o mais possível aos próprios jornalistas e “ouvi-los”, na primeira pessoa (por fim de questionário, entrevista, estudo d e caso, a ver vamos…),

 

Perceber esta abordagem mais descritiva é fundamental na medida em que o trabalho parte totalmente despojado de preocupações tecnológicas (não se pretende criar o médium social ideal para jornalistas) ou de índole filosófica (.. e muito menos questionar a existência da profissão ou a reorientaçõa dos seus principios). Trata-se sobretudo de perceber – terra a terra - como é que um público específico dos media sociais (e da internet em geral) se comporta e interage nestas plataformas e em que medida é que tal se traduz na geração de novas oportunidades ou problemáticas (identificadas previamente) para o seu trabalho, ele próprio funcionando de acordo com lógicas muito específicas.

 

Traduzindo novamente tudo isto em jeito de questões de investigação, teríamos então o seguinte resultado:

 

1) Quais os comportamentos e atitudes dos jornalistas portugueses face aos media sociais online e à integração destas ferramentas nas suas práticas profissionais (pesquisa de informação, contacto com as fontes, etc)?

 

2) Que factores motivam / impedem a utilização dos media sociais online por parte dos jornalistas  portugueses, em contexto profissional? 

 

Comentário: Julgo que as duas perguntas falam por si mas, aprofundado um pouco mais os objectivos implícitos nas  mesmas, e sempre à luz do background teórico em análise (que passará sempre pela reflexão em torno das oportunidades e probemas asssociados à utilização dos media sociais no trabalho dos jornalistas portugueses), os objectivos passam por:

 

- Perceber se a adesão aos media sociais (e às oportunidades por eles geradas) é uma realidade concreta, actualmente, nas redacções dos media nacionais;

- Detectar motivações e factores inibidores à integração nos media sociais;

- Compreender eventuais diferenças (nas atitudes face aos media sociais e à profissão) entre os jornalistas que usam e aqueles que não aderem às ferramentas web 2.-0 em contexto de trabalho (para recolha de informação ,contacto com fontes, promoção do trabalho próprio, entre outras práticas que estão a ser distrinçadas na pesquisa teórica). Dentro dos primeiros, será igualmente importante detectar variações na utilização entre escalões etários diferentes, reflectindo sobre a criação previsível de uma nova cultura de trabalho nas redacções, gerada pela adesão aos media sociais de uma nova geraçõa de profissionais;

(outros...)

 

 

3) Em que medida é que a integração nas lógicas colaborativas dos media sociais online , ou não, a transformar as práticas profissionais dos jornalistas portugueses (relação com as fontes de informação, acesso a nova informações? 

 

4) Que estratégias são utilizadas pelos jornalistas portugueses com presença nos media sociais, para salvaguardar as práticas profissionais estabelecidas ou, por outro lado, gerar nova sabordagens, influenciadas pelo meio digital e colaborativo? 

 

Comentário: Tratam-se das perguntas mais difíceis de levar para o terreno, uma vez que tocam realidades mais complexas, tais como são a relação entre os jornalistas que utilizam dos media sociais e os restantes utilizadores que, partilhando com consigo o mesmo ambiente mediático e sendo potenciais sujeitos activos na geração de informação com interesse noticioso, não o são (jornalistas...). Objectivos:

 

- Detectar comportamentos específicos dos jornalistas na utilização dos media sociais, em comparação com os restantes utilizadores.

- Detectar padrões de comportamento dentro da classe jornalística (com quem se relaciona nos media sociais, a que tipo de fontes  recorre, que informações é que lhe interessam...)

- Perceber a forma como os jornalsitas entendem a relação com os media sociais e respectivos utilizadores (numa perspectiva passiva de aceder  a fontes de informação? numa lógica colaborativa e interactiva? a ver...)

 

 

5) Qual o posicionamento dos responsáveis dos órgãos de comunicação social portugueses face à utilização das redes sociais pelos seus jornalistas, em contexto profissional? 

 

6) Que práticas e estratégias podem ser incentivadas de modo a consolidar e optimizar a utilização dos media sociais pelos jornalistas portugueses, sem prejuízo das boas práticas da profissão? 

 

Comentário: Para enquadrar os resultados obtidos a partir das primeiras perguntas,, e procurando enriquecer a análise com dados complementares aos recolhidos junto dos jornalistas (afinal, diz a ética jornalística que se deem ouvir sempre os 2 lados da barricada!), penso que seria interessante compreender o posicionamento dos órgãos de comunicação social portugueses face à utilização das rede sociais por parte dos seus jornalistas. Encaram-na com abertura? Com preocupação? Até que ponto jornalistas e órgãos de comunicação social  estão em sintonia no que toca à aplicação de uma estratégia consertada na utilizaçao dos media sociais? Ou, por outro lado, trata-se de um fenómeno individual?

 

Uma vez que não existe nenhum estudo (no terreno) feito em Portugal que verse objectivamente, e de form prática,  sober a relação entre jornalistas e media sociais , penso que um trabalho em torno destas questões (de índole mais descritivo) acabaria por ter o que quê de inovador e, quem sabe, enquadrar (no contexto português) futuras investigações em vários campos do conhecimento (com especial destaque nos Estudos dos Media) e sobre aspectos cada vez mais específicos, tais como as questões de ordem deontológica associadas à utilização dos media sociais. No âmbito específico da Comunicação Multimédia (e dentro da transdisciplinariedade que este campo comporta), penso que se enquadra perfeitamente um trabalho que procure identificar o comportamento de um dado públcio face aos media sociais, salvaguardando até, quem sabe, a criação futura de ferramentas (e aí entra a tecnologia a todo o vapor) pensadas e construídas em função das características e anseios desse público (ex: uma rede social para jornalistas; jornais colaborativos, aplicações colaborativas nos sites noticiosos entre mil e uma outras alternativas).

 

Por enquanto, evito aprofundar as minhas reflexão sobre como aplicar o trabalho no terreno, uma vez que tal  dependerá sempre da definição do tema.  Nesse sentido ,e como prometido inicialmente, este foi o último devaneio em torno da temática do projecto, antes da reunião com a orientadora, agendada para amanhã. sexta-feira.

 

Agora, hora de justificar o salário no final do mês...

 

 


mais sobre mim
Tema do Projecto
JORNALISTAS 2.0: PROBLEMA OU OPORTUNIDADE NAS REDACÇÕES DA IMPRENSA DIÁRIA PORTUGUESA? (ainda em estudo. queria usar a palavra conversação algures...)
Autor
Tiago J. Reis
Âmbito
Mestrado em Comunicação Multimédia | Multimédia Interactivo pela Universidade de Aveiro
Ano Lectivo
2009/2010
Orientadora
Lídia Oliveira Hélder Bastos (co-orientador)
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